OFICINA DO PENSAMENTO
(Melencolia I, 1514, de Albrecht Dürer)

J. M. C. MATTOS


O Burgo Ao Longe Dorme Ainda E Sonha, Estranho

Ao Árido, Ciente Lavor Dos Que Lamentam

Não Dar À Pedra A Forma-Inteira Que Intentam,

Na Luz Nascente, Baixar Dos Céus Tal A Cor, O Tamanho.


Silentes E Insones, Ambos Entregues À Obra-Incrível,

Os Anjos Grande & Pequeno Dos Instrumentos Não Desertam:

A Escada, A Balança E A Ampulheta Quiçá Despertam

Ao Sinete, Menos Embora O Cão Dormente, Solidário, Impassível. 


- Se Ao Exílio Dos Homens E Do Reino, Grande & Pequeno,

Por Que Persistem Junto Aos Signos E Ao Material Disperso,

Ousando Imantá-los Face À Indiferença, À Vileza, Ao Tempo-Pleno? 

- O Que Guardam, Austeros, De Primeiro Ou Último Do Universo?


Confiados Por Dürer Ao Eterno, Lidam Embalde Com Fórmulas-Secretas.

Não Importa. Em Algum Sítio Do Orbe, Vigoram Dignos, Alquímicos, Poetas.

Fuente: Gentilmente cedida por el autor

Gerardo Herreros http://www.herreros.com.ar